Por Caio Fulgêncio

Criar “uma nova agenda de responsabilidade” é a finalidade central dos dois eventos nacionais que ocorrem em Rio Branco neste mês, afirmou o governador do Acre, Tião Viana, em coletiva nesta segunda-feira (16). O 16º Fórum de Governadores da Amazônia Legal ocorre no dia 26 e o Encontro de Governadores do Brasil pela Segurança e Controle das Fronteiras – Narcotráfico, uma Emergência Nacional no dia 27.

O fórum reúne representantes de todos os estados que integram o bloco econômico – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão – além de autoridades do Peru, Bolívia e embaixador da Alemanha. Questões relacionadas ao Meio Ambiente, Segurança, Comunicação e Turismo serão discutidas, bem como detalhes sobre a Conferência das Partes COP 23, que acontecerá na Alemanha em novembro.

“A agenda [do fórum] envolve questões de natureza socioambiental. Vamos discutir o consórcio de governadores da Amazônia, para que tenhamos uma plataforma de investimentos, e políticas de crédito para o desenvolvimento regional em resposta à crise econômica dos nossos estados. São temas atuais, continuados, que temos debatido a cada 90 dias”, complementou.

A Segurança Pública, sobretudo com foco nas fronteiras, é a pauta do encontro, no dia 27, com a participação de governadores de todo o país. Confirmaram presença o presidente da República, Michel Temer; os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do Senado, Eunício Lopes, do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia; procuradora-Geral da República, Raquel Dodge; e vários ministros de Estado.

“O narcotráfico é o assunto mais ameaçador para as gerações presentes e futuras. Esse encontro pode significar uma nova maneira de enxergar o problema da droga e de priorizar o tema dentro do país. O êxito disso pode ser um debate direto e aberto sobre o mais grave problema que temos. Eu vivia dividindo a aflição com os meus colegas. Precisávamos fazer algo emergencial para uma intervenção imediata”, afirmou.

De maneira prática, em articulação com o governo federal, os governadores querem a construção de um sistema nacional de segurança pública; uma força-tarefa nacional de proteção e combate ostensivo à droga; um fundo nacional de segurança; e uma ação emergencial que possa unir os serviços de inteligências estaduais e federais para que seja trabalhada uma estratégia conjunta.

“Estamos em uma situação pior que a Colômbia nos anos 80, época de Pablo Escobar, e ninguém está ligando para isso. É raro hoje ter um ambiente escolar em que alguém não tenha algum contato com facção criminosa. É uma tragédia que está aos olhos. O Brasil não regulamentou sequer o controle de munições. Não precisamos ter o grande efetivo das forças armadas no Centro-Sul e ainda tão pequeno na Amazônia”, ressaltou Viana.